Os mercados têm o direito de ter algumas vertigens

São Paulo 29/10/2019 –

Já não surpreende ninguém que a economia mundial esteja numa fase de desaceleração. As causas dessa desaceleração são perfeitamente conhecidas: desde o início de 2018, a China tencionava retomar os seus esforços de diminuir as dívidas, reduzindo o seu apoio ao crescimento, o que resultou automaticamente no declínio das principais economias exportadoras mundiais. Simultaneamente, em vez de intervirem no apoio ao crescimento, os grandes bancos centrais continuaram a tentar normalizar as suas políticas monetárias.

Para agravar a situação, Donald Trump lançou um ataque frontal às exportações chinesas, atitude que teve pouco impacto direto na atividade chinesa, mas que elevou o nível de incerteza, penalizando assim o investimento das empresas e a confiança dos consumidores de forma global. 2019 não é mais do que a herança desta colisão geral do ano passado. É certo que os bancos centrais promoveram as reparações e mostraram-se muito mais flexíveis este ano do que no ano passado (foram realizadas 43 quedas nas taxas de juros no mundo desde o início do ano), mas por mais extenso que seja, este apoio monetário não é suficientemente para corrigir a mudança econômica que começou em 2018.

A macroeconomia é como a confiança: construída, ou reconstruída, a um ritmo mais lento do que é destruída. Esta inércia levou a economia norte-americana a juntar-se ao cortejo dos principais países em forte desaceleramento, tal como confirmado pelas últimas estatísticas publicadas no início do mês de outubro. Por conseguinte, até que possam surgir eventuais estímulos orçamentais no próximo ano, os mercados financeiros são confrontados com o risco de algumas vertigens devido ao crescente desnível, para não falar do abismo, entre a realidade do desaceleramento econômico, agora evidente, e as soluções passíveis de se oporem atualmente ao mesmo. Porque a inércia aplica-se a muitas decisões humanas, principalmente quando diz respeito aos gestores dos bancos centrais.

Tendo em conta que, há dez meses, a Reserva Federal norte-americana ainda aumentava as suas taxas de juros diretoras. Há apenas dois meses, ainda reduzia a dimensão do seu balanço, equivalente a uma orientação monetária restritiva por outra via. Então, como podemos esperar que a Fed oferecerá mais que alguns cortes graduais e cautelosos nas taxas de juros, como os insuficientes 0,25%, sem perder a credibilidade, sem mostrar fraqueza, ou mesmo sem parecer perder a independência frente às táticas de pressão de Trump? Ainda é preciso recordar que, em dezembro passado, a Fed já tinha aceitado prejudicar a sua credibilidade, anunciando que este ciclo de orientação monetária restritiva tinha subitamente acabado, isso alguns dias após ter aumentado as taxas de juros pela oitava vez em dois anos. Precipitar-se agora no sentido oposto, com um movimento brusco de flexibilização, seria pedir demais a uma instituição essencialmente conservadora, prudente e verdadeiramente empenhada em preservar a sua credibilidade.

No entanto, esta inércia de voltar a injetar liquidez no sistema financeiro é ainda mais problemática, pois, simultaneamente, a política econômica de Donald Trump começa a ser contraproducente para o crescimento norte-americano, o que resultará na explosão do déficit orçamental que deverá ser financiado. Voltar a comprar, direta ou indiretamente, as obrigações emitidas pelo Tesouro dos Estados Unidos para financiar o déficit, por outras palavras, recorrer novamente ao famoso “quantitative easing”, ao aumentar a dimensão do seu balanço após a sua redução no mês passado, parece cada vez mais um desfecho inevitável para a Fed. Mas quando e como o admitir sem se contradizer? Enquanto aguardam pela resposta, os mercados têm o direito de ter algumas vertigens.

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