Setor funerário se adapta à despedida humanizada de pets

O sepultamento de pets em jazigos familiares começa a avançar no Brasil, impulsionado por mudanças na legislação e pelo reconhecimento das famílias multiespécie. A iniciativa sinaliza o reconhecimento jurídico e social de um vínculo que, para muitos brasileiros, transcende a convivência doméstica e alcança a esfera do direito à memória. O movimento ganhou força com a aprovação de legislações locais, como a “Lei Bob Coveiro” na cidade de São Paulo, e o avanço de projetos de lei no Congresso Nacional que visam padronizar esse direito em todo o território nacional.

Atualmente, o Brasil possui a terceira maior população pet do mundo, com mais de 150 milhões de animais, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). No entanto, o tutor que deseja planejar essa despedida deve estar atento às regras locais, que variam conforme o estado ou município.

De acordo com Alessandro Oliveira, diretor do Grupo Zelo, em cidades onde a prática é permitida, os animais de estimação podem ser enterrados em jazigos de cemitérios públicos e particulares destinados a humanos. “Mas o sepultamento não é feito de qualquer maneira. Os animais devem estar em invólucros específicos que impeçam a contaminação do solo e sigam rigorosamente as normas ambientais e da vigilância sanitária”, detalha o diretor. Enquanto capitais como São Paulo já possuem regulamentação, em muitas outras cidades a prática ainda depende de autorizações judiciais ou se limita a crematórios e cemitérios exclusivamente pets.

O luto e a validação do afeto

A psicoterapeuta e pesquisadora Renata Roma, especialista em luto pet, explica que a perda de um animal pode gerar impactos emocionais equivalentes à perda de um ente querido humano, por isso a integração dos pets aos jazigos e rituais da família é um desdobramento natural de um vínculo profundo.

“Esse vínculo é intenso e cotidiano. No entanto, o luto pet ainda enfrenta o desafio do não reconhecimento social, o que pode isolar o enlutado. Rituais de despedida, como cerimônias e homenagens, são fundamentais para validar essa dor e ajudar na elaboração da perda”, afirma a psicóloga.

Despedidas estruturadas

A necessidade de acolhimento nesse momento de transição tem impulsionado o setor de serviços funerários a adaptar suas estruturas nos últimos anos. Dados do Grupo Zelo apontam que a opção por despedidas dignas para animais é uma realidade consolidada. Entre 2024 e 2025, a empresa registrou um crescimento de 8% no volume de cremações de pets em suas operações nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. Além da cremação, a existência de cemitérios exclusivos para pets compõe um elo fundamental na preservação dessa memória. Esses espaços, abertos à visitação das famílias, funcionam como um local de conexão contínua, onde os tutores podem prestar homenagens e manter vivo o vínculo com o animal.

Alessandro Oliveira destaca que o mercado apenas responde a uma mudança de comportamento da sociedade. “Os animais deixaram de ocupar um papel secundário. Hoje, as famílias buscam alternativas humanizadas, que incluem desde planos de assistência que integram o pet como dependente até espaços físicos dedicados exclusivamente a velórios e sepultamentos animais”, pontua.

A oferta dessa infraestrutura, que inclui salas de velório preparadas e até transmissões online, reflete a seriedade com que o tema é tratado. Para Renata Roma, esses espaços legitimam o sentimento das famílias. “Validar esse sofrimento e oferecer um local de memória ajuda as pessoas a atravessarem o processo de forma saudável. O luto por um animal não é apenas uma fase, é uma experiência que transforma a dinâmica familiar e merece o mesmo respeito dedicado a qualquer outro membro do núcleo afetivo”, conclui a especialista.

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