Incêndios em alta reforçam importância das brigadas

Levantamento aponta recorde de ocorrências nos últimos anos e reforça a necessidade de treinamento adequado, protocolos bem definidos e atuação rápida nos primeiros minutos de emergência

Nos últimos anos, a capacitação em brigada de incêndio ganhou relevância devido ao aumento da fiscalização, maior conscientização sobre gestão de riscos e eventos que expuseram falhas no processo de preparo.

Levantamento do Instituto Sprinkler Brasil (ISB) aponta que as notícias de incêndios estruturais em indústrias cresceram 34% no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o monitoramento realizado pela entidade, foram registradas 107 ocorrências nos seis primeiros meses do ano.

Conforme pesquisas recentes, o Brasil registrou o maior volume de incêndios em estruturas desde o início do acompanhamento realizado pelo ISB. Com base no acompanhamento diário de notícias sobre ocorrências, o Instituto identificou 2.453 casos de incêndios estruturais ao longo de 2024, número que representa um crescimento de 10,4% em relação a 2023. Os episódios afetaram estabelecimentos comerciais, unidades industriais, armazéns e espaços com grande fluxo de pessoas.

De acordo com Carlos Rodrigues, enfermeiro especializado em atendimento de emergência e proprietário da 22Brasil Socorristas – Formação de Profissionais de Resgate e Socorro, atualmente, as instituições compreendem que não basta ter extintores na parede, mas que é necessário ter pessoas capacitadas para agir nos primeiros minutos — decisivos em qualquer emergência.

Em escolas, pontual o profissional, o foco passa a ser ainda mais sensível, pois envolve crianças e adolescentes, que demandam protocolos específicos de evacuação e proteção. "Além disso, há uma mudança cultural: a segurança deixou de ser apenas uma exigência legal e passou a ser um diferencial institucional e reputacional", afirma.

Normas e instruções técnicas na prática

No cotidiano das organizações, as Instruções Técnicas dos Corpos de Bombeiros desempenham um papel essencial ao operacionalizar o que é estabelecido de forma mais ampla pela NR 23. Enquanto a norma regulamentadora define diretrizes gerais sobre prevenção e combate a incêndios, as instruções detalham como essas exigências devem ser aplicadas na prática.

Entre os pontos abordados, Carlos Rodrigues ressalta o dimensionamento da brigada de incêndio, os tipos de treinamentos obrigatórios, a especificação dos sistemas de proteção, além da sinalização adequada, rotas de fuga e procedimentos de evacuação.

"Na prática, são essas instruções que guiam o projeto, a implantação e a fiscalização. Ignorá-las é um erro grave, porque é nelas que está o padrão técnico exigido para aprovação e segurança real", acrescenta.

Etapas para implantação de uma brigada de incêndio

De acordo com Carlos Rodrigues, a implantação de uma brigada de incêndio em uma instituição deve seguir critérios técnicos bem definidos, evitando improvisações que possam comprometer a segurança. O processo tem início com a análise de risco da edificação, que considera fatores como o tipo de ocupação (seja escola, indústria ou escritório), a carga de incêndio e o número de pessoas que circulam no local.

A partir desse diagnóstico, é realizado o dimensionamento da brigada, com a definição da quantidade de brigadistas conforme a legislação vigente. Em seguida, ocorre a seleção dos integrantes, priorizando profissionais com perfil adequado, como senso de responsabilidade, controle emocional e disponibilidade para atuar em situações de emergência.

O treinamento inicial, conforme explica o socorrista, é outra etapa fundamental e abrange conteúdos como combate a incêndios, abandono de área e noções de primeiros socorros. Ao mesmo tempo, a instituição deve estruturar a organização operacional da brigada, com a definição de lideranças, elaboração do plano de emergência e estabelecimento de rotas de fuga e pontos de encontro.

Por fim, a realização de simulados práticos é indispensável para preparar a equipe diante de situações reais, permitindo testar procedimentos, corrigir falhas e garantir maior eficiência na resposta a eventuais ocorrências. "Sem simulado, a brigada não está pronta. Treinamento sem prática gera falsa sensação de segurança", pontua.

Diferenças entre brigadas em escolas e empresas

Carlos Rodrigues detalha que a formação de brigadas de incêndio apresenta diferenças relevantes quando comparados ambientes escolares e empresariais, principalmente devido ao perfil das pessoas a serem protegidas.

Nas escolas, o público é composto majoritariamente por crianças, o que implica menor autonomia em situações de emergência e exige estratégias específicas, como evacuação assistida e maior ênfase no controle de pânico.

Assim, a atuação da brigada precisa estar integrada a professores e à coordenação pedagógica, além de seguir protocolos mais rígidos de organização para garantir a segurança dos alunos.

Já no ambiente corporativo, o especialista reforça que o público é predominantemente adulto e, em muitos casos, previamente treinado para lidar com situações de risco. Por isso, as brigadas tendem a ter maior foco no combate inicial ao incêndio, além de lidar com riscos específicos conforme a natureza da atividade desenvolvida, como agentes químicos, instalações industriais ou sistemas elétricos. A estrutura, nesses casos, costuma ser mais técnica e adaptada às particularidades de cada operação.

"Em resumo, escolas priorizam evacuação segura. Empresas equilibram evacuação e resposta ao princípio de incêndio", destaca.

Mitos que comprometem a segurança

Na análise do profissional, ainda existem mitos e percepções equivocadas sobre a formação e a atuação de brigadas de incêndio nas organizações, o que pode comprometer a eficácia das medidas de segurança. Um dos enganos mais comuns é a crença de que apenas possuir extintores é suficiente para lidar com emergências. "Não resolve. Equipamento sem treinamento é inútil em situação real", rebate.

Há ainda a noção de que treinamentos rápidos são suficientes para preparar os brigadistas, desconsiderando a importância de reciclagens periódicas e simulados práticos, fundamentais para manter o conhecimento atualizado. Por fim, o socorrista reforça que a ideia de que qualquer funcionário pode integrar a brigada também é equivocada. "Nem todos têm perfil. A escolha precisa considerar preparo emocional e responsabilidade", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://22brasil.net/

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