Feridas que não cicatrizam podem indicar doença crônica

O envelhecimento da população, o aumento dos casos de diabetes e a maior permanência de pacientes em cuidados prolongados têm ampliado a atenção para feridas que não cicatrizam. Essas lesões podem estar associadas a fatores circulatórios, metabólicos e à imobilidade, e exigem avaliação individualizada por profissional especializado para evitar complicações.

No Brasil e no mundo, o crescimento dos casos de diabetes e o envelhecimento progressivo da população têm colocado as lesões de difícil cicatrização no centro da atenção da saúde pública. Quando não identificadas e tratadas de forma adequada, essas feridas podem evoluir para complicações graves e impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde ("OMS"), o diabetes está em crescimento em todo o mundo e figura entre as principais condições crônicas associadas a complicações que podem interferir na cicatrização, especialmente quando há comprometimento da circulação e da sensibilidade. Uma revisão científica publicada na "Universidade de Miami" estima que cerca de 25% dos pacientes com diabetes desenvolvem feridas com cicatrização comprometida ao longo da vida — quadro que, em casos mais avançados, pode evoluir para amputação de membros.

"Feridas que não cicatrizam" podem estar associadas a diferentes fatores, como alterações na circulação sanguínea, neuropatias, pressão contínua sobre determinadas regiões do corpo e condições metabólicas que interferem no processo natural de recuperação tecidual. A identificação precoce desses fatores é determinante para evitar a progressão das lesões.

Em alguns casos, o paciente percebe que se trata de uma ferida aberta que não cicatriza mesmo após cuidados básicos, o que pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Em outros contextos, há relatos de uma ferida que não fecha completamente, mantendo-se ativa por longos períodos sem sinais de melhora.

Segundo a "Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)", o diabetes é uma condição crônica que, quando permanece descompensada, pode causar danos aos nervos periféricos e alterações nos vasos sanguíneos, comprometendo a sensibilidade e a circulação, especialmente em pés e pernas. Esse cenário favorece o aparecimento de lesões que evoluem com maior dificuldade de cicatrização. Pequenos traumas, como bolhas, cortes ou unhas encravadas, podem se agravar e, em casos mais avançados, aumentar o risco de infecções — quadro conhecido popularmente como pé diabético.

Segundo a estomaterapeuta Dra. Micheline Sarquis, muitos desses desfechos podem ser evitados com identificação precoce da lesão, controle adequado da doença de base e acompanhamento correto da ferida. "Nem toda ferida segue o mesmo tempo de cicatrização. Quando ela permanece aberta por mais tempo do que o esperado, é importante investigar o que pode estar interferindo nesse processo", explica a especialista.

A profissional destaca que fatores como mobilidade reduzida, idade avançada e doenças crônicas podem alterar a resposta do organismo. "O cuidado precisa ser individualizado. A avaliação técnica considera não só a lesão, mas todo o estado de saúde do paciente", afirma.

Além dos fatores clínicos, a alimentação tem papel reconhecido no suporte à cicatrização. Uma revisão publicada no "JPRAS Open" (2024) identificou que ácidos graxos ômega-3, aminoácidos específicos e compostos polifenólicos estão associados à melhora da cicatrização e ao suporte à função imunológica. Outro estudo, publicado no "IJMS" (2024), aponta que deficiências nutricionais prolongam o processo inflamatório e prejudicam a síntese de colágeno, etapas essenciais para a recuperação tecidual.

Para Adrian Bester, nutricionista integrativo, o manejo alimentar é parte essencial do cuidado em condições como o diabetes. "Pacientes com diabetes tipo 2 vivem em um estado de inflamação crônica de baixo grau, que compromete desde o controle da glicemia até a capacidade de recuperação do organismo. Uma "alimentação anti-inflamatória", baseada em alimentos naturais, gorduras saudáveis e baixo índice glicêmico, pode ajudar a criar um ambiente interno mais favorável para a cicatrização", analisa o especialista.

Esse vínculo entre dieta anti-inflamatória e diabetes tem respaldo científico direto. Um ensaio clínico controlado publicado no "Journal of Restorative Medicine" demonstrou que a adoção de uma dieta anti-inflamatória reduziu marcadores inflamatórios e melhorou parâmetros do metabolismo da glicose em pacientes com pré-diabetes e diabetes tipo 2, reforçando o papel da alimentação como estratégia complementar no manejo da doença.

Familiares e cuidadores também têm papel importante na identificação precoce de alterações na pele, especialmente em pacientes acamados ou com limitações de mobilidade. A preocupação com uma ferida que não sara reforça a importância da observação contínua e do encaminhamento adequado para avaliação especializada.

Mudanças na coloração, presença de secreção, dor ou aumento da área da lesão são sinais que merecem atenção. O acompanhamento regular por profissional habilitado é fundamental para evitar a progressão de complicações e garantir a conduta mais adequada para cada caso.

Mais informações podem ser encontradas em: "https://institutomichelinesarquis.com/"

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