Exposição coletiva Metrô de Superfície II, em cartaz no Centro Cultural São Paulo, em destaque de matéria de capa no caderno Vida & Arte do jornal O Povo

São Paulo, Brasil, América do Sul 1/6/2013 –
Convidados pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, dois curadores desenvolvem uma pesquisa que tem a pretensão de mapear a arte contemporânea no Nordeste.

O trabalho define um acervo a ser adquirido pelo CCBNB e que passa a circular o País.

Segue em cartaz, até 28 de julho, no Centro Cultural de São Paulo (CCSP) a exposição coletiva Metrô de Superfície II, que apresenta trabalhos de 12 artistas visuais do Nordeste, dentre eles, os cearenses Waléria Américo, Yuri Firmeza, Jared Domício, Vitor César e Júlio Lira, do projeto Mediação dos Saberes. A exposição é resultado de um estudo que já vem sendo feito há dois anos pelos curadores da mostra, Bitu Cassundé (cearense) e Clarissa Diniz (pernambucana). O projeto faz um mapeamento e discute a produção contemporânea nordestina da última década, através da formação de uma coleção para o Centro Cultural Banco do Nordeste, a qual resultará também na edição de um livro e na realização de seminários e exposições itinerantes. A coleção completa está prevista para ser exposta em Fortaleza no próximo ano.

Até agora, já foram adquiridas as obras de quase 30 artistas nordestinos ou com obras desenvolvidas a partir do nordeste brasileiro. Dezessete desses artistas tiveram seus trabalhos expostos na primeira mostra do Metro de Superfície, realizada ano passado, no Paço das Artes, também em São Paulo. “O interesse é levar a produção contemporânea nordestina para diferentes centros e circuitos”, explica Bitu Cassundé.

Segundo ele, a ideia é mostrar, fora do Nordeste, o que está se fazendo por aqui, como forma de divulgar e discutir essa produção. “A gente quis começar de fora pra dentro”, pontua.

Apesar de ter como ponto em comum a arte contemporânea produzida no nordeste ou por nordestinos, a seleção das obras e dos artistas se esquivou de estereótipos e regionalismos. “O que levamos em consideração para aquisição é a potência da poética e a maturação da pesquisa, com obras significativas dentro da produção dos artistas selecionados. A ideia é que toda região esteja representada para que se possa compor um forte panorama”, destaca Cassundé.

Com entrada franca, a exposição conta também com a participação dos seguintes artistas e grupos: Bruno Faria, Fabiano Gonper, Fernando Peres, Grupo GIA, Jonathas de Andrade, Júlio César Leite e Lourival Cuquinha.

Obras
Entre os cearenses que fazem parte da mostra está a artista visual cearense Waléria Américo, 34. Mestranda em performance e instalação em arte multimídia pela Universidade de Lisboa, ela trabalha com ações que misturam imagens e corpo. Na mostra Metrô de Superfície II, ela apresenta a videoinstalação Contenção, na qual caminha sobre um muro de contenção sumindo e reaparecendo em outro ponto. Três telas formam uma imagem em “ele”. “Quando a pessoa vai assistir, ela meio que entra na imagem. O que eu faço é fazer o outro buscar a próxima passada. O vídeo vai construindo uma espécie de ritmo”, explica Waléria. “Minha ideia é fazer alguns vídeos mais imersivos, mais instalados. Todos os meus vídeos têm essa coisa da vivência de um espaço que, muita vezes, é na cidade. É uma ação na própria cidade que depois é transposta para uma linguagem videográfica”, pontua.

Outro artista que participa da mostra é o cearense radicado em São Paulo, Vitor César, 35. Ele participa do Metrô de Superfície II com o trabalho Romance Policial, uma série de cartazes e impressos que propõe diferentes modos de tornar visíveis as operações da Polícia Federal. Realizado pelo Estúdio Permitido, ao longo de dois anos de trabalho, a série oferece “uma visada panorâmica sobre a relação entre um estúdio de design e uma instituição do Estado”.

Já o artista visual Yuri Firmeza, 30, foi selecionado para o projeto com dois trabalhos: A Fortaleza e Souzousareta Geijutsuka. No primeiro, ele apresenta duas fotografias feitas no mesmo cenário, num intervalo de 10 anos. Em primeiro plano está o seu corpo magro contrapondo-se ao crescimento da cidade tomada pela forte especulação imobiliária. No segundo trabalho, Yuri reúne documentos da repercussão midiática que o artista inventado Souzousareta ganhou nos anos 2000. “Eu fui quase como um artista-hacker ao me infiltrar na vida dos jornais daqui. E aí fui arquivando tudo o que foi veiculado. Todo o material resultou também num livro”, conta Yuri.

Como
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Convidados pelo Banco do Nordeste, dois curadores desenvolvem uma pesquisa que tem a pretensão de mapear a arte contemporânea no Nordeste. O trabalho define um acervo a ser adquirido pelo Banco do Nordeste e que passa a circular o País.

SERVIÇO
Metrô de Superfície II
O quê: exposição com obras de 12 artistas visuais nordestinos
Quando: até 28 de julho. Visitação de terça a sexta, das 10h às 20h; e sábado e domingo, das 10h às 18h.
Onde: Centro Cultural São Paulo – Sala Tarsila do Amaral (Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade – Centro)
Quanto: grátis
Outras info: (11) 3397 4002 / www.centrocultural.sp.gov.br
Naara Vale – naara@opovo.com.br; naaravale@gmail.com

Website: http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2013/05/28/noticiasjornalvidaearte,3063975/nordeste-de-fora-pra-dentro.shtml

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